Cocaína apreendida em Fernandópolis seguiria à Europa
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A apreensão da droga no município acabou por desestabilizar e atrasar toda uma estrutura logística montada por criminosos estrangeiros
Por EthosPolicial -
Uma megaoperação da Polícia Federal deflagrada na terça-feira, dia 2, revelou que Fernandópolis foi peça-chave para descobrir uma sofisticada rota internacional de tráfico de drogas. A investigação aponta que um carregamento de 490,8 quilos de cocaína, apreendido pelas autoridades brasileiras em uma aeronave no aeroporto de Fernandópolis, pertencia à facção criminosa PCC (Primeiro Comando da Capital) e tinha como destino final o mercado europeu.
A apreensão da droga em Fernandópolis acabou por desestabilizar e atrasar toda uma estrutura logística montada por criminosos estrangeiros. De acordo com a Polícia Federal, essa carga específica abasteceria o veleiro “Mobydick”, que aguardava em Ilhabela, no litoral de São Paulo, para iniciar uma travessia pelo Oceano Atlântico até a Espanha.
Para os investigadores, a conexão com o episódio ocorrido em Fernandópolis escancarou o funcionamento de uma rede do crime organizado: o entorpecente voava até pontos estratégicos e de concentração no interior do país para, posteriormente, ser levado de carro até a costa brasileira, de onde partia em navios e barcos rumo ao exterior.
O desfalque gerado pela polícia na cidade do interior paulista provocou graves atritos e discussões internas entre os operadores nacionais do PCC e o capitão sueco responsável pela embarcação, o que forçou o bando a se reorganizar antes de conseguir zarpar.
A ofensiva da Polícia Federal, batizada de Operação Narco Sky, mira justamente os laços da facção brasileira com o mafioso sérvio Antun Mrdeza, conhecido no submundo como “Nikola Boros” ou “John Gotti”. Ele é apontado pelas autoridades como um dos líderes da máfia italiana ‘Ndrangheta e membro de uma nova central global de comando do narcotráfico baseada na Colômbia. Mrdeza, que está preso na Venezuela desde maio de 2025, é acusado de financiar e comandar grandes remessas de cocaína da América do Sul para a Europa e a África. Devido à sua periculosidade e à extensa rede de proteção armada, o mafioso virou pivô de um impasse diplomático, já que o governo dos Estados Unidos tenta sua extradição para uma prisão de segurança máxima.
A operação policial cumpriu dez mandados de prisão preventiva e três de busca e apreensão em estados como São Paulo, Rio Grande do Sul e Pará. Além de colocar os nomes dos envolvidos na lista de procurados da Interpol, a 5ª Vara Federal de Santos determinou o bloqueio e o confisco de bens e valores dos investigados no limite impressionante de até R$ 631,8 milhões. A ação da PF ocorre poucos dias após o governo americano classificar o PCC como uma organização terrorista, permitindo sanções financeiras internacionais severas contra a facção que utilizava o interior de São Paulo como rota para o tráfico mundial.

A apreensão da droga no município acabou por desestabilizar e atrasar toda uma estrutura logística montada por criminosos estrangeiros



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