Empresários criaram esquema bilionário para lavar dinheiro
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O esquema, segundo a Polícia Civil, foi oferecido crime organizado no RJ
Por EthosPolicial -
O esquema bilionário de lavagem de dinheiro, alvo de uma operação na quarta-feira (29), foi idealizado por empresários em Rio Preto (SP) para ocultar os recursos provenientes do jogo do bicho e máquinas de azar e foi proposto ao crime organizado no Rio de Janeiro. A informação foi divulgada por promotores do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco).
Os empresários são apontados como chefes do grupo. Eles foram presos junto com outros dois funcionários da empresa durante a operação. Ao todo, cinco pessoas foram presas, sendo os quatro em Rio Preto e uma em Campo Grande (MS). Duas pessoas investigadas no Rio de Janeiro continuam foragidas. A Polícia Federal e o Gaeco cumpriram 11 mandados de busca e apreensão em três estados brasileiros: MS, RJ e SP.
Segundo a promotoria, a investigação apontou que o grupo não explorava diretamente os jogos de azar: o “papel” deles era criar e administrar a estrutura financeira capaz de dar aparência de legalidade ao dinheiro obtido com atividades criminosas.
O esquema usava milhares de maquininhas de cartão instaladas em bancas de jogo de bicho e videobingos, interligadas a empresas de fachada e registradas em nome de “laranjas”.
Nesse caso, as empresas estavam registradas em nome de pessoas sem capacidade financeira, sendo algumas beneficiárias de programas sociais, mas que apareciam como responsáveis por movimentações financeiras milionárias.
As movimentações eram pulverizadas e, depois, o dinheiro era direcionado para empresas ligadas aos investigados. Ainda segundo a investigação, mais de mil transações consideradas suspeitas foram identificadas pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf)
O Gaeco classificou a atuação dos empresários como uma "terceirização" da lavagem de dinheiro. Conforme o promotor, eles não são apontados como donos de bancas de jogo do bicho.
Nesse caso, a estrutura era responsável por "escoar" o dinheiro obtido pelo crime organizado, o que permitia que os recursos circulassem com aparência de legalidade e favorecessem o enriquecimento dos exploradores do jogo do bicho.
As investigações apontam que, entre janeiro de 2019 e março de 2026, as contas analisadas movimentaram cerca de R$ 2 bilhões. Desse total, pelo menos R$ 100 milhões teriam sido sacados em espécie.

Promotoria fez coletiva em Rio Preto sobre operação contra lavagem de dinheiro. Foto: André Modesto



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