Moedas e malabares nos semáforos de Fernandópolis
- Ethos +
- há 1 dia
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Entre pedidos de ajuda, vendas improvisadas e apresentações de malabarismo, os cruzamentos do município se tornaram um pequeno palco da vida
Por Breno Guarnieri -
Nos cruzamentos movimentados de Fernandópolis, a cena já se tornou comum: quando o semáforo fecha, pessoas se aproximam dos carros para pedir ajuda, vender pequenos produtos ou fazer apresentações rápidas de malabarismo. Essa realidade revela um retrato complexo de desigualdade social, sobrevivência e também de criatividade nas ruas.
Para muitos motoristas, o semáforo é apenas um momento de pausa no trânsito. Para quem está na rua, porém, os poucos segundos podem significar a chance de garantir parte do sustento do dia. Há quem peça dinheiro diretamente, quem ofereça balas, panos de limpeza ou água, e também artistas de rua que utilizam malabares, bolas ou fogo para chamar a atenção enquanto os veículos aguardam a abertura do sinal.
Os motivos que levam essas pessoas às esquinas são diversos. Em muitos casos, a falta de emprego formal, a vulnerabilidade social e a dificuldade de acesso a oportunidades acabam empurrando adultos e jovens para atividades informais.
Motoristas
Por outro lado, a prática também gera debates. Parte da população se sente sensibilizada e contribui com moedas ou comprando produtos. Outros motoristas demonstram desconforto ou preocupação com segurança no trânsito.
“A cidade ficou cheia de situações como essas, né, acho que as pessoas que estão ali vendendo tem um motivo, mas as vezes atrapalha o trânsito. Muitas vezes tem gente que quer ajudar, aí o sinal abre e os carros não andam, aí fica aquela confusão de buzinadas”, pontuou o autônomo Fernando Gomes, de 37 anos.
As abordagens costumam assustar a motorista Gabriela Nunes, de 35 anos. Ela comentou com a reportagem de Ethos + que as pessoas aparecem de repente e quase entram no carro. “Não dá para saber se estão vendendo alguma coisa ou pedindo. Tem vendedores que respeitam o espaço e ficam longe da porta do motorista, mas alguns chegam a intimidar”, relatou.
Programas
Em Fernandópolis, esporadicamente, são realizadas pelas autoridades competentes abordagens para encaminhar pessoas em situação de vulnerabilidade para programas de apoio e abrigamento.

Entre moedas e malabares: a realidade nos semáforos de Fernandópolis



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