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Entre sirenes e desafios, a força feminina na segurança pública

“Entrevista da Semana”: na linha de frente, policial militar, de Fernandópolis, simboliza a força feminina no Dia Internacional da Mulher


Por EthosEntrevista -


O Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março, é uma data marcada pela reflexão, reconhecimento e luta pelos direitos das mulheres em todo o mundo. Mais do que homenagens, o dia representa uma oportunidade para lembrar a trajetória histórica de mulheres que enfrentaram desigualdades, reivindicaram direitos e abriram caminhos para as gerações seguintes.


Em entrevista à reportagem de Ethos +, a policial militar Fabiana Cruz, da 2ª Cia de Polícia Ambiental de Fernandópolis, ressaltou que o Dia Internacional da Mulher não é apenas uma comemoração, mas um convite à conscientização e à valorização das contribuições femininas na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

 

Ethos +: Quem é a mulher que mais te inspira e por quê?


Fabiana: A mulher que mais me inspira é, sem dúvida, a minha mãe. Venho de uma família de mulheres simples e de trabalho braçal. Minha avó foi auxiliar de limpeza a vida inteira. Minha mãe também já foi e, hoje, trabalha na roça. Sempre acordou de madrugada, enfrentou sol, cansaço, dificuldades, mas nunca perdeu a alegria. O que mais me inspira nela não é apenas a força física, é a postura diante da vida. Ela sai para trabalhar feliz e volta feliz. A alegria dela diante do trabalho árduo é algo radiante. Ela me ensinou que dignidade não está no cargo, está no caráter. Ela é, sem sombra de dúvidas, a mulher mais forte que eu conheço.

 

Ethos +: Qual foi o maior desafio que você enfrentou como mulher?


Fabiana: O maior desafio foi provar minha capacidade profissional. Quando você é mulher em um ambiente predominantemente masculino, muitas vezes precisa demonstrar competência antes mesmo de ser vista como igual. Não é apenas fazer bem feito. É fazer bem feito todos os dias. Aprendi que competência se constrói com constância, postura e preparo. E entendi algo importante: não precisamos ser melhores que ninguém, precisamos ser excelentes naquilo que nos propomos a fazer.

 

Ethos +: Que conquista pessoal ou profissional mais te orgulha?


Fabiana: Ter ingressado na Polícia Militar aos 19 anos é, até hoje, a minha maior conquista. Uma menina do interior que decidiu prestar concurso, passou e foi para São Paulo, uma metrópole imensa, cheia de desafios. Foi um salto enorme. Saí de casa muito nova, enfrentei medos, amadureci na marra. Essa conquista não foi só minha, foi da minha família inteira. Olho para trás e vejo que aquela menina teve coragem. E a coragem muda destinos.

 

Ethos+: Houve algum momento em que você precisou provar sua capacidade? Como foi?


Fabiana: Todos os dias. Nós, mulheres da segurança pública, precisamos constantemente demonstrar que temos preparo técnico, conhecimento e força para exercer a função. Fui a primeira mulher no quadro de praças da 2ª Cia de Polícia Ambiental de Fernandópolis. Isso trouxe desafios. A confiança não veio pronta, foi construída. Foi um trabalho de formiguinha, diário, baseado em profissionalismo, respeito e resultados. Hoje eu sei que não se trata de ocupar espaço. Se trata de merecer e honrar o espaço que ocupamos.

 

Ethos+: Como vê a presença feminina em cargos de liderança hoje?


Fabiana: Eu vejo como algo brilhante e extremamente inspirador. Existe muito por trás de uma mulher em posição de liderança. Há estudo, renúncia, planejamento, inteligência emocional e muita força. Mulheres líderes não ocupam apenas cargos, elas abrem caminhos. E quanto mais mulheres vemos liderando, mais meninas passam a acreditar que também podem.

 

Ethos +: Que conselho daria para as mulheres que queiram seguir sua profissão?


Fabiana: Resiliência e decisão. Ser Policial Militar exige preparo físico, mental e emocional. Exige estudo, disciplina e amor pela missão. Mas acima de tudo, exige querer muito. Haverá dias difíceis. Mas quem tem propósito, permanece.

 

Ethos +: O que o Dia Internacional da Mulher representa para você? Que mensagem você deixaria?


Fabiana: O Dia Internacional da Mulher representa reconhecimento - algo que levou décadas para ser conquistado. A força da mulher é feroz. Eu já vi mulheres realizarem coisas extraordinárias. A capacidade feminina é inabalável. Pense: no momento mais delicado de uma mulher, ela é capaz de gerar uma vida. Imagine quando ela decide usar toda a sua força. Ser mulher é potência. Ser mulher é resistência. Ser mulher é transformação. E que nunca nos falte coragem para ocupar os espaços que são nossos por direito.


A policial militar Fabiana Cruz, da 2ª Cia de Polícia Ambiental de Fernandópolis


"Ter ingressado na Polícia Militar aos 19 anos é, até hoje, a minha maior conquista", ressalta Fabiana

 
 
 

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