O impacto da Fibromialgia na vida da mulher
- Ethos +
- 12 de mai.
- 3 min de leitura
Por EthosOpinião - Dra. Helen Cristina Assad, advogada e vice presidente da OAB/SP, em Fernandópolis
A fibromialgia vai muito além da dor física. Para milhares de mulheres, ela representa uma batalha silenciosa travada diariamente entre o corpo, a mente e a necessidade constante de seguir em frente mesmo quando tudo parece pesado demais.
A condição, reconhecida pela Organização Mundial da Saúde, é caracterizada por dores musculares generalizadas, fadiga intensa, alterações no sono, dificuldade de concentração, ansiedade e, em muitos casos, sintomas depressivos. Embora possa atingir homens e mulheres, a maior incidência ocorre no público feminino — especialmente entre os 30 e 55 anos.
O impacto da fibromialgia na vida da mulher costuma ser profundo. Muitas convivem com a incompreensão social e até familiar, justamente porque a doença não deixa marcas visíveis. A dor existe, mas nem sempre é enxergada. E isso faz com que inúmeras mulheres sejam julgadas como “preguiçosas”, “sensíveis demais” ou “exageradas”, quando, na realidade, estão tentando sobreviver a um esgotamento físico e emocional constante.
A rotina também sofre grandes transformações. Atividades simples, como trabalhar, cuidar da casa, dirigir ou brincar com os filhos, podem se tornar extremamente cansativas. Há dias em que levantar da cama exige mais força do que qualquer pessoa imagina. Ainda assim, muitas mulheres continuam acumulando funções, tentando dar conta da profissão, da maternidade, do relacionamento e das responsabilidades diárias enquanto lutam contra dores permanentes.
Outro ponto importante é o impacto psicológico causado pela doença. A fibromialgia frequentemente vem acompanhada de sentimentos de culpa, frustração e impotência. Afinal, é difícil explicar uma dor que não aparece em exames tradicionais e que, muitas vezes, é desacreditada até mesmo em ambientes profissionais.
Por isso, informação e acolhimento são fundamentais. A mulher com fibromialgia não precisa apenas de tratamento médico: ela precisa ser ouvida, compreendida e respeitada. O diagnóstico precoce, o acompanhamento multidisciplinar e o apoio familiar fazem diferença direta na qualidade de vida da paciente.
Além dos impactos físicos e emocionais, a fibromialgia também pode gerar importantes reflexos na vida profissional e financeira da mulher. Quando a doença compromete a capacidade de trabalho, podem existir direitos previdenciários garantidos pelo Instituto Nacional do Seguro Social.
Entre os principais benefícios previdenciários que podem ser analisados estão:
• auxílio por incapacidade temporária (antigo auxílio-doença), quando a segurada fica temporariamente incapacitada para o trabalho (necessita contribuição);
• aposentadoria por incapacidade permanente, nos casos em que não há possibilidade de reabilitação profissional (necessita contribuição);
• benefício assistencial à pessoa com deficiência (BPC/LOAS), para mulheres em situação de vulnerabilidade social e incapacidade de longo prazo, desde que preenchidos os requisitos legais (não precisa ter contribuído).
É importante destacar que a fibromialgia, por si só, não garante automaticamente a concessão de benefícios. Cada caso deve ser analisado individualmente, considerando documentos médicos, histórico clínico, limitações funcionais e o impacto real da doença na atividade profissional exercida pela paciente.
Muitas mulheres convivem anos sem buscar seus direitos por medo, desinformação ou pela dificuldade de comprovar uma doença invisível aos olhos de terceiros. Por isso, orientação adequada e acompanhamento profissional fazem toda diferença durante o processo previdenciário.
Falar sobre fibromialgia é, acima de tudo, falar sobre dignidade, empatia e qualidade de vida. Porque nenhuma dor deve ser invisível apenas por não poder ser vista.
*O texto é de livre manifestação do signatário que apresenta e defende suas ideias e opiniões, e não reflete, necessariamente, a opinião de Ethos +

Dra. Helen Cristina Assad, advogada e vice presidente da OAB/SP, em Fernandópolis



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