Mulheres: maioria nas urnas, minoria no poder
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- há 1 dia
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Caro leitor, o debate é sobre representatividade
Por EthosEditorial -
As mulheres são maioria do eleitorado brasileiro. São elas que, eleição após eleição, decidem os rumos do país nas urnas. Ainda assim, quando se observa quem ocupa os cargos de poder, o cenário é inverso: elas continuam sendo minoria nas câmaras municipais, assembleias legislativas, Congresso Nacional e prefeituras.
A contradição expõe um problema que vai além dos números. O Brasil já avançou ao criar cotas para candidaturas femininas e regras para distribuição de recursos eleitorais. Mas a realidade mostra que essas medidas, embora importantes, ainda não foram suficientes para garantir uma participação equilibrada na política.
As barreiras começam muito antes da campanha. Muitas mulheres enfrentam resistência dentro dos próprios partidos, recebem menos apoio financeiro, têm menor tempo de exposição e ainda convivem com uma violência política que afasta novas lideranças. Soma-se a isso a dupla ou tripla jornada de trabalho, que torna a disputa eleitoral ainda mais desigual.
Não se trata de defender privilégios ou favorecer candidaturas apenas pelo gênero. O debate é sobre representatividade. Uma democracia se fortalece quando seus espaços de decisão refletem a composição da sociedade. Se as mulheres representam mais da metade da população e do eleitorado, é razoável esperar que essa presença também seja vista nas mesas onde são tomadas as decisões que afetam a vida de todos.
Questões como saúde, educação, segurança, mercado de trabalho, proteção à infância e combate à violência ganham outra dimensão quando há diversidade de vozes no processo de decisão.
O desafio não é apenas eleger mais mulheres. É criar condições para que elas possam disputar eleições em igualdade de oportunidades, exercer seus mandatos com autonomia e permanecer na vida pública sem enfrentar obstáculos que seus colegas homens, em grande parte, nunca precisaram superar.




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